Histórico do processo

Cronologia de factos e decisões.

Linha temporal integral dos actos administrativos, das intervenções políticas e da mobilização cívica relacionados com o caso. Cada entrada identifica o tipo de acto e a sua relevância para o procedimento futuro.

A cronologia é actualizada de forma contínua. Os marcos futuros indicam pontos previstos do procedimento administrativo e jurídico, com relevância para a estratégia de contestação.

30 de Junho de 2023
Aprovação unânime da Alteração à 1.ª Revisão do PDM de Alter do Chão
A Assembleia Municipal de Alter do Chão aprova, por unanimidade, a Alteração à 1.ª Revisão do Plano Director Municipal, sob proposta da Câmara presidida por Francisco Miranda. O regulamento aprovado classifica como Espaço Florestal de Conservação a área que, três anos depois, virá a ser indicada para o campo de tiro. O artigo 17.º, n.º 6, do regulamento, interdita edificação nova e alteração drástica do uso do solo nesta categoria.
25 de Setembro de 2023
Publicação do Aviso n.º 18418/2023 (entrada em vigor do PDM)
Publicação no Diário da República, 2.ª Série, n.º 186, do Aviso 18418/2023. Marca a entrada em vigor formal do regulamento do PDM em vigor.
Maio de 2024
Resolução do Conselho de Ministros n.º 66/2024
O Governo de Luís Montenegro aprova a localização do novo aeroporto de Lisboa (Luís de Camões) no Campo de Tiro de Alcochete. A decisão obriga à relocalização do polígono militar e está na origem da cadeia decisória que conduz a Alter do Chão.
1 de Janeiro de 2025
Mapa oficial da REN Gasodutos confirma traçado em Alter do Chão
A Rede Nacional de Transporte de Gás publica a actualização anual do mapa oficial, que confirma a passagem do gasoduto Campo Maior–Leiria, principal ponto de entrada de gás natural em Portugal a 85 bar, atravessando o concelho de Alter do Chão. Documento público, citável.
Janeiro de 2025
Início das conversações entre MDN, Força Aérea e Câmara de Alter do Chão
Segundo é alegadamente reportado pelo próprio Presidente da Câmara em sede de reunião municipal de Março de 2026 e pelo comunicado do PS local de 19 de Março de 2026, as conversações entre o Ministério da Defesa Nacional, a Força Aérea Portuguesa e o executivo municipal terão começado neste mês. Nenhuma estrutura democrática local foi informada nos quatorze meses que separam este início do anúncio público. A acta da reunião municipal em que o autarca confirma esta data carece de verificação directa.
17 de Julho de 2025
Resolução do Conselho de Ministros n.º 111/2025
Determina à Força Aérea a preparação dos estudos da nova localização e atribui à Direcção-Geral de Armamento e Património da Defesa Nacional (DGAPDN) competência para os actos subsequentes, "incluindo eventuais expropriações". Acto que prepara administrativamente o processo expropriativo. Fixa o final de 2025 como prazo para os estudos de localização.
11 de Fevereiro de 2026
Decreto-Lei n.º 35/2026
Publicado o Decreto-Lei que reforça a protecção da Zona Especial de Conservação de Cabeção (PTCON0029), que abrange parte do território de Alter do Chão. Acto do próprio Estado a reforçar protecção ambiental no exacto território onde, um mês depois, anunciará a ocupação militar.
23 de Fevereiro de 2026
Portaria n.º 89-I/2026/1
Complementa o Decreto-Lei n.º 35/2026 com o Plano de Gestão da ZEC de Cabeção, com 48.394 hectares abrangendo Avis, Ponte de Sor, Mora e Alter do Chão. Identifica 25 habitats e 8 espécies protegidas, incluindo o habitat 3170 (charcos temporários mediterrânicos) prioritário e o endemismo Halimium umbellatum var. verticillatum, cuja distribuição mundial está concentrada em mais de 60 por cento neste sítio. Reforça a tensão jurídica entre protecção ambiental e ocupação militar.
2 de Março de 2026
Reorganização do comando militar
O General João Cartaxo Alves é nomeado Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA). O Tenente-General Sérgio Costa Pereira sucede-o como Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA). O General Eduardo Mendes Ferrão é reconduzido como Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) por mais dois anos. Continuidade institucional no momento crítico da decisão.
5 de Março de 2026
TJUE C-613/24: Portugal condenado por incumprimento da Directiva Habitats
O Tribunal de Justiça da União Europeia condena Portugal a sanção fixa de 10 milhões de euros e a sanção pecuniária compulsória diária de 41.250 euros, calculada em 750 euros por dia por cada Zona Especial de Conservação ainda não devidamente designada (55 ZEC em falta à data). O Estado português invoca os sete Decretos-Lei de Janeiro e Fevereiro de 2026 (incluindo o DL 35/2026 sobre Cabeção) como prova de cumprimento. Anunciar a violação desse diploma em Alter do Chão, seis dias depois, expõe o erário público a agravamento financeiro adicional.
11 de Março de 2026
Anúncio público da escolha de Alter do Chão
Em conferência de imprensa em Lisboa, o Ministro da Defesa Nacional Nuno Melo declara Alter do Chão como destino do novo campo de tiro. Presentes na conferência: o Presidente da Câmara Francisco Miranda (que agradece "visão estratégica e política"), o CEMGFA General João Cartaxo Alves, o SEAPDN Nuno Pinheiro Torres e o CEMFA General Sérgio Pereira. O Ministro declara expressamente que os "estudos de impacto e outros" são os "que decorrem da lei e que serão feitos" — reconhecendo publicamente que os estudos legalmente exigidos ainda não estavam feitos.
12 de Março de 2026, 10h26
Publicação do comunicado oficial em portugal.gov.pt
O Governo publica em portugal.gov.pt o comunicado "Alter do Chão vai receber campo de tiro em alternativa a Alcochete". Documento que torna formal e arquivável o conteúdo da conferência de imprensa.
16 de Março de 2026
Organizações de conservação manifestam oposição na imprensa
Em reportagem do PÚBLICO ("Não é bom em lado nenhum"), organizações de conservação da natureza como a SPEA e a FAPAS manifestam oposição à localização, alertando para o impacto sobre as aves estepárias ameaçadas (sisão, abetarda, peneireiro-das-torres, tartaranhão-caçador) e sobre a Rede Natura 2000.
18 de Março de 2026
Pergunta do Bloco de Esquerda no Parlamento
O Grupo Parlamentar do BE questiona o Governo sobre a escolha de Alter do Chão. Primeira iniciativa parlamentar formal de fiscalização do caso.
30 de Março de 2026
Perguntas parlamentares do PCP
O Grupo Parlamentar do PCP, através da sua Direcção de Organização Regional de Portalegre (DORPOR), dirige perguntas formais ao Governo sobre a localização exacta dos terrenos, a identificação dos agricultores afectados, a compatibilização com a Barragem do Pisão, a compatibilização com a Coudelaria de Alter Real, o impacto no turismo regional, e a incompatibilidade com o Aeródromo Municipal de Ponte de Sor.
21 de Abril de 2026
Reportagem televisiva no terreno documenta clivagem
Reportagem televisiva reúne duas vozes distintas: o Presidente da Câmara, Francisco Miranda, apresenta o IC13 como contrapartida da transferência, reportando-se ao Estudo Prévio de 2013; logo a seguir, um empresário agrícola da Herdade da Chancelaria (1.200 hectares em regime de renda privada) retoma o mesmo IC13 e formula a citação memorável "quando existem contrapartidas é porque não é bom". Reportagem documenta no terreno o impacto sobre as explorações agrícolas e refere 50 empresas afectadas e mais de 100 empregos em risco.
25 de Abril de 2026
Iniciativa parlamentar do Partido Socialista
O deputado Luís Testa e mais quatro deputados do PS apresentam iniciativa com nove perguntas dirigidas ao Governo. Pressão multipartidária consolidada.
27 e 28 de Abril de 2026
F-16 da Força Aérea rompe a barreira do som sobre a Figueira da Foz
Um F-16 da Força Aérea Portuguesa rompe a barreira do som sobre a Figueira da Foz, com vidros a estremecer em casas e comércio, alarme generalizado entre os residentes e relatos descritos pela imprensa local como "estrondo sem precedentes". A Força Aérea nega inicialmente e só depois reconhece. O evento é testemunho operacional directo do efeito sonoro produzido pelos mesmos F-16 que o Governo prevê utilizar a partir do Campo de Tiro de Alter do Chão, e desmente a minimização ministerial proferida em 11 de Março ("os voos são muito poucos, os lançamentos ainda menos").
28 de Abril de 2026
Lançamento da Petição Pública PT130367
Joana Caldeira Valverde de Azeredo Vasconcelos lança a petição "Alter do Chão, Não ao Campo de Tiro" no portal peticaopublica.com. Início da via parlamentar formal de cidadania.
29 de Abril de 2026
Requerimento de audições do Chega
O deputado Pedro Pinto e mais quatro deputados do Chega requerem audições nas Comissões de Defesa, de Agricultura e Pescas, e de Ambiente e Energia, com lista detalhada de entidades a ouvir. Escrutínio alargado a três frentes parlamentares.
30 de Abril de 2026
Debate na Assembleia Municipal de Alter do Chão
A Assembleia Municipal debate o tema. O Presidente da Câmara Francisco Miranda admite "não ter ainda toda a informação". A acta não está publicada à data de elaboração desta cronologia.
1 de Maio de 2026
Recuo público de Francisco Miranda
Em entrevista pública, o Presidente da Câmara declara que "ainda não aceitou" o campo de tiro e que aguarda os estudos. Reversão documentada da posição inicial de 11 de Março, com cinquenta dias de intervalo.
9 de Maio de 2026
Governo procura "sossegar preocupações"
Reacção política do Governo às pronúncias críticas das associações ambientalistas e da Coudelaria. Esclarecimentos públicos sobre o impacto previsto em cavalos e aves.
10 de Maio de 2026
Peça assinada por Álvaro Vieira no Público
Peça extensa de imprensa nacional, com cruzamento de fontes e detalhe sobre o quadro ambiental, jurídico e socioeconómico do caso. Reforça o ciclo de cobertura nacional consolidada do processo.
5 de Junho de 2026
Petição ultrapassa as 2.000 assinaturas
A Petição PT130367 ultrapassa as 2.300 assinaturas. Cruza com larga margem o limiar de mil assinaturas que obriga à publicação no Diário da Assembleia da República e à audição dos peticionários em comissão.
8 de Junho de 2026
Peça de opinião em Linhas de Elvas / Norte Alentejo
O semanário regional publica peça de opinião intitulada "TozAIR em Alter", assinada por António Alves e Almeida, que destaca o trajecto profissional do actual director-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional, António José de Morais Baptista, e a sua passagem prévia como chefe da divisão de Gestão de Recursos Humanos do Município de Alter do Chão (2021-2025), bem como a sua filiação no CDS-PP.
9 de Junho de 2026
Actualização documental da documentação do caso
A primeira subscritora da Petição Pública partilha um caderno técnico de 33 páginas estruturado em 21 capítulos, com dados cruzados do IFAP, da REN, do Tribunal de Justiça da União Europeia e da legislação consolidada. Em paralelo, são processadas duas intervenções do Ministro Nuno Melo em comissão parlamentar, a reportagem televisiva de 21 de Abril, a reportagem F-16 Figueira da Foz e a peça de Álvaro Vieira no Público de 10 de Maio. A documentação do caso integra dezasseis vectores novos no Capítulo X e é actualizado para a versão v02.
26 de Junho de 2026
A Assembleia Municipal de Arronches aprova por unanimidade a recusa do campo de tiro
A Assembleia Municipal de Arronches aprova, por unanimidade, uma moção de recusa do campo de tiro, sob proposta do Grupo do Partido Socialista. Arronches integra o Parque Natural da Serra de São Mamede e confina com o concelho de Monforte, abrangido pelo perímetro previsto.
26 de Junho de 2026
A Assembleia Municipal de Fronteira aprova a moção contra o campo de tiro
A Assembleia Municipal de Fronteira aprova uma moção do Chega contra a construção do campo de tiro, com voto contra da coligação AD. Fronteira é concelho directamente afectado: nele se situam a freguesia de Cabeço de Vide e as Termas da Sulfúrea.
26 de Junho de 2026
A Assembleia Municipal de Portalegre debate o campo de tiro
A Assembleia Municipal de Portalegre debate três moções sobre o campo de tiro, apresentadas pelo Chega, pela CLIP e pela coligação PSD/CDS. A Presidente da Câmara não assume posição de oposição ao projecto e a maioria PSD/CDS aprova a moção que remete a matéria para a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, rejeitando as moções do Chega e da CLIP, que se opunham à instalação.
1 de Julho de 2026
O Ministro da Defesa pede prorrogação do prazo dos estudos
Na Comissão de Defesa Nacional, em resposta aos deputados eleitos por Portalegre, o Ministro afirma que a localização ainda não está decidida e que os estudos estão em curso, e informa que o Governo pediu ao Parlamento uma prorrogação do prazo para a sua realização. É o reconhecimento de que a escolha de Alter do Chão, anunciada a 11 de Março, precedeu os estudos legalmente exigidos.
9 de Julho de 2026
Audição dos peticionários na Assembleia da República
A Assembleia da República ouve em comissão os dinamizadores da Petição Pública PT130367, na sequência da ultrapassagem do limiar de mil assinaturas. Apresentam o caso e pedem que a comissão recomende ao Governo suspender a decisão de localização até estarem concluídos os estudos de impacte ambiental, a avaliação de incidências sobre a Rede Natura 2000 e a consulta pública.
11 de Julho de 2026
A Assembleia Municipal de Fronteira aprova uma segunda moção contra o campo de tiro
A Assembleia Municipal de Fronteira aprova uma segunda moção de oposição, agora apresentada pela coligação PS/MPT, distinta da moção do Chega aprovada a 26 de Junho. Exige a divulgação pública dos estudos, pareceres e critérios da escolha de Alter do Chão, a realização prévia das avaliações ambiental, territorial e socioeconómica, e a auscultação formal dos municípios afectados: Fronteira, Monforte, Crato, Portalegre e Ponte de Sor.
Julho de 2026
A CIMAA cria uma comissão com os presidentes dos concelhos afectados
A Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo decide constituir uma comissão com os presidentes de câmara dos concelhos afectados para acompanhar o processo do campo de tiro, concretizando a via institucional para a qual a matéria fora remetida pela Assembleia Municipal de Portalegre. A frente regional consolida-se ao nível intermunicipal.
31 de Dezembro de 2025
Conclusão prevista dos estudos da Força Aérea
Prazo previsto na Resolução do Conselho de Ministros n.º 111/2025 para a entrega dos estudos prévios. Antecede a Avaliação de Impacte Ambiental.
Próximo marco
Procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental
Janela formal de participação pública. As exposições escritas dos cidadãos, das organizações ambientalistas e dos agricultores serão recebidas no portal participa.pt e juntas ao procedimento da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Próximo marco
Declaração de Impacte Ambiental (DIA)
Primeiro acto administrativo dotado de eficácia jurídica externa. A sua publicação abre o prazo legal para impugnação contenciosa e para pedido de providência cautelar.
Próximo marco
Declaração de Utilidade Pública (DUP) e expropriações
A DUP é o acto que fundamenta o procedimento expropriativo. Sujeito ao Código das Expropriações (Lei n.º 168/99 e revisões posteriores). Prazos rigorosos de impugnação e de audição dos interessados.
Próximo marco
Licenciamento e início da construção
Acto final impugnável. As providências cautelares para travar a execução têm de ser apresentadas antes do início material da obra para serem juridicamente úteis.

Esta cronologia é actualizada de forma contínua à medida que ocorrem desenvolvimentos legislativos e acções de mobilização social. Sugestões de adição: geral@naoaocampodetiro.pt.