Não ao Campo de Tiro.

Sete mil e quinhentos hectares, integralmente propriedade agrícola privada, com impacto directo em Alter do Chão, Crato, Fronteira, Monforte e concelhos limítrofes, sobre montado e o gasoduto da REN de alta pressão, no raio de impacto da Rede Natura 2000 e da ZPE de Monforte, e no mesmo concelho do património equestre. Anúncio sem estudos. Decisão antes da consulta pública.

Confissão pública · 11 de Março de 2026

Os estudos de impacto e outros (…) são os que decorrem da lei e que serão feitos.
Nuno Melo, Ministro da Defesa Nacional Conferência de imprensa, Lisboa, 11 de Março de 2026. Comunicado publicado em portugal.gov.pt a 12 de Março, 10h26.

O membro do Governo competente reconhece, em discurso oficial, que os estudos legalmente obrigatórios ainda não tinham sido feitos no momento em que o destino do projecto foi tornado público.

Assinaturas 2.446
População do concelho 3.180
Grupos parlamentares 4 iniciativas

Quem somos

A plataforma "Não ao Campo de Tiro" é uma plataforma cívica do Alto Alentejo. Reúne agricultores, empresários, associações, cidadãos e profissionais em oposição comum à instalação do campo de tiro militar anunciado pelo Governo a 11 de Março de 2026.

Defendemos a integridade do montado, da Rede Natura 2000 (ZEC Cabeção PTCON0029 e ZPE Monforte PTZPE0051), da Área Importante para as Aves de Alter do Chão (IBA PT017) e da Coudelaria de Alter Real, fundada em 1748, instituição central da Arte Equestre Portuguesa inscrita pela UNESCO na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade a 3 de Dezembro de 2024. Defendemos os meios de vida de mais de cinquenta explorações agrícolas familiares e dos 58 a 81 agricultores distintos directamente afectados pela área prevista.

Exigimos que os estudos previstos por lei sejam realizados antes da decisão e não depois dela. Não somos contra a defesa nacional. Somos contra esta decisão de localização, tomada sem instrução técnica prévia e em manifesta contradição com actos do próprio Estado.

Mão de um agricultor segura uma pena de ave de rapina, no campo

O caso em três tempos

O que aconteceu, porque é ilegítimo, e que alternativa existe.

A síntese institucional do caso, com os três tempos que estruturam a posição da plataforma. A sequência completa está fundamentada no caderno de argumentos.

O que aconteceu

A 11 de Março de 2026, o Ministro da Defesa anunciou que o Campo de Tiro da Força Aérea sai de Alcochete (para dar lugar ao novo aeroporto) e vem para Alter do Chão. Anunciou sem estudos prévios, sem avaliação de impacto ambiental, sem consulta pública, sem revelar o custo, e sem dizer que um gasoduto de alta pressão atravessa a meio do polígono.

Porque é ilegítimo

Quem anunciou admitiu não ter estudos. O mesmo Governo aprovou, 28 dias antes do anúncio, o decreto que protege a zona escolhida. Não consultou a REN sobre o gasoduto, não consultou a população, e não publicou estudo nenhum a comparar Alter com outras localizações. Configura violação de procedimento, dos princípios constitucionais de participação e do quadro europeu vinculativo de avaliação prévia.

Que alternativa existe

A Força Aérea tem Mértola e Serpa identificadas como melhor opção técnica desde 2007. A NATO oferece Bardenas Reales, em Espanha, desde 1982, com 80 por cento de capacidade disponível, entre 5 e 20 milhões de euros por ano. A obrigação do Governo é avaliar essas alternativas em Avaliação de Impacte Ambiental. Primeiro o estudo. Depois a decisão.

O caso em números

Doze números que sustentam a oposição.

Dados consolidados em fontes oficiais e em registos cívicos. Cada número remete para fonte documental verificável. Lista completa, com fontes, em página própria.

7.500
Hectares previstos para o Campo de Tiro, que se estendem por vários concelhos do Alto Alentejo (Alter do Chão, Monforte, Crato e Fronteira).
100%
Da área do perímetro previsto é propriedade agrícola privada. O Estado dispõe, na região, de terreno público que não usou.
329-375
Parcelas agrícolas com candidatura PAC activa em 2025 dentro do perímetro previsto, segundo cruzamento IFAP.
11,8 km
De gasoduto da REN a 85 bar atravessam o perímetro. Desvio: 85 a 215 milhões de euros e 5 a 8 anos.
€298-608M
Estimativa independente do custo total. O Ministro recusou publicamente apresentar qualquer valor oficial.
28
Dias entre o Decreto-Lei 35/2026 (protege a ZEC Cabeção) e o anúncio do Campo de Tiro na mesma área.
200
Militares e respectivas famílias a transferir para o concelho, segundo o comunicado oficial. Concelho tem 3.180 habitantes.
2.446
Assinaturas de cidadãos de todo o país na Petição Pública PT130367 contra a instalação do campo de tiro.
Última actualização em 22 de Julho de 2026. Documento de referência: documentação integral do caso (Junho de 2026).

Estado do caso

Onde estamos hoje.

A Petição Pública PT130367 conta 2.446 assinaturas e cruzou o limiar legal de mil que obriga à publicação no Diário da Assembleia da República e à audição dos peticionários em comissão. Quatro grupos parlamentares apresentaram iniciativas de fiscalização: Bloco de Esquerda a 18 de Março, Partido Socialista a 18 de Março e 25 de Abril, Partido Comunista Português a 30 de Março e 2 de Abril, Chega a 29 de Abril. O Presidente da Câmara reverteu publicamente a sua posição inicial e, a 1 de Maio, declarou aguardar os estudos.

Os estudos prévios da Força Aérea ainda não foram publicados. A cartografia oficial do projecto não é pública, e a que circula entre os agricultores é, segundo é alegadamente reportado, o único material a que a Câmara teve acesso. A Coudelaria de Alter Real não emitiu posição pública sobre o caso. A Agência Portuguesa do Ambiente não tem registo de procedimento aberto no portal participa.pt.

A 9 de Junho de 2026 foi consolidada uma actualização documental da documentação (Capítulo X, dezasseis vectores novos), com dados cruzados do IFAP, da REN, do Tribunal de Justiça da União Europeia e do contributo técnico da primeira subscritora da petição.

Cronologia integral do caso →

Perguntas frequentes

As quatro perguntas mais comuns.

Respostas às perguntas mais comuns sobre o caso. A lista completa inclui réplicas aos argumentos típicos invocados a favor do projecto.

  • Os argumentos são realmente ambientais ou é apenas oposição de quem não quer o projecto à sua porta?

    A acusação de oposição paroquial, ou de defesa de interesses puramente locais, ignora um facto verificável: existem alternativas técnicas concretas que nunca foram avaliadas. Bardenas Reales, em Espanha, está aberto a aliados NATO desde 1982, com 80 por cento da capacidade disponível, a 5 a 20 milhões de euros por ano. Mértola foi a opção técnica da Força Aérea desde 2007. Nenhuma destas alternativas foi reavaliada publicamente antes do anúncio. O território de Alter do Chão tem o mesmo valor que qualquer outro território do país; a diferença é que ninguém perguntou à sua população se aceitava o sacrifício.

  • Não está em causa a Defesa Nacional?

    Não. Está em causa a forma como esta decisão foi tomada. Quem trata seriamente da Defesa Nacional faz planeamento, estudos e avaliação de alternativas, não anúncios em conferência de imprensa antes de qualquer instrução técnica. A própria Força Aérea Portuguesa identificou Mértola como melhor opção técnica em 2007. Foi escolhido outro destino sem critério público divulgado. Permitir que a Defesa Nacional seja administrada sem critério é prejudicar a própria Defesa.

  • O Estado não pode pagar uma indemnização justa aos agricultores afectados?

    A indemnização monetária prevista no Código das Expropriações paga a terra, não paga a actividade agrícola que se constrói em cima dela. Não compra outra profissão a quem perde a sua. Não são cinquenta propriedades em causa: são cinquenta explorações activas, com empregos, cadeias de valor, conhecimento de gerações e montados com sobreiros centenários protegidos por lei nacional. Pagar a terra não restitui isso. Adicionalmente, a expropriação destas explorações contradiz a garantia pública do autarca de que a área seria de terrenos do Estado.

  • Há mesmo um gasoduto no meio do polígono? Não seria fácil contorná-lo?

    O gasoduto Campo Maior–Leiria atravessa 11,8 quilómetros dentro do polígono previsto, com 85 bar de pressão de operação. É o principal ponto de entrada de gás natural em Portugal. O Regulamento da Rede Nacional de Transporte de Gás (Despacho 806-C/2022, DGEG) impõe obrigação de contactar a REN antes de qualquer projecto na vizinhança, distância mínima de 75 metros e autorização prévia para qualquer trabalho. Desviá-lo custa entre 85 e 215 milhões de euros e leva entre cinco e oito anos. Fazer fogo real por cima de um gasoduto a 85 bar sem autorização da REN seria, à letra, ilegal.

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